Negócio social e com lucro, por que não?

A Agrosmart nasceu com uma missão: resolver o problema da fome no mundo. E não podia ser diferente para uma empresa que se inspirou no modelo de negócio social. “É assim que começa esse tipo de empreendimento. A gente tem que resolver o problema de uma pessoa e repetir até atingir um bilhão de pessoas”, explica Mariana Vasconcelos, fundadora e CEO da Agrosmart, startup que apostou no modelo da agricultura digital.

Ela e mais dois jovens empreendedores se juntaram para criar um aplicativo que coleta e analisa dados para auxiliar os agricultores na tomada de decisões com objetivo de produzir mais e melhor. “Eu tenho uma paixão pela agricultura. Então, procurei descobrir como transformar isso em empreendimento que gerasse impacto na vida das pessoas e no meio ambiente”, explica Mariana.

A ideia nasceu da experiência própria de Mariana, que vem de uma família de agricultores, e já atraiu o interesse de gigantes como Google e Nasa. Segunda ela, o agronegócio ainda é muito intuitivo e baseado em modelos tradicionais. Mas as mudanças no clima e na disponibilidade de recursos hídricos vem interferindo na análise com a qual o agricultor está acostumado. E a produtividade fica cada vez mais comprometida.

E como o Agrosmart contribui com esse processo? A plataforma é capaz de monitorar toda uma plantação coletando e analisando mais de 10 variáveis ambientais, de solo e clima, fazendo com que as tomadas de decisão sejam mais precisas com base em informações de sensores instalados nas áreas de cultivo. Por meio de um software, o agricultor pode acompanhar de qualquer lugar como anda sua produção e passa a contar com dados como manejo inteligente da irrigação, chuva acumulada, umidade do solo, consumo de energia ou combustível, consumo de água, condições do tempo na fazenda e previsão do tempo. Quem adota o sistema, chega a alcançar uma redução de 60% no consumo da água, o que abre as portas para o agricultor produzir mais e melhor com menos recursos, o que acaba gerando impacto social também.

No começo, como qualquer nova tecnologia, Mariana lembra que encontrou alguma resistência entre os produtores. “Eles já estavam acostumados ao sistema tradicional e mesmo havendo muito interesse poucos se aventuravam a experimentar o aplicativo”, diz. Quando grandes empresas, como a Coca-Cola, começaram a adotar a solução, esse cenário mudou, pois eles passaram a ter uma referência maior. “Hoje no Brasil, a Agrosmart cobre um território de 80 mil hectares e recentemente firmamos um acordo para distribuição das nossas soluções em toda a América Latina”, conta Mariana.

No caso da Coca-Cola, a empresa subsidia o sistema para permitir que os pequenos agricultores, fornecedores de frutas para os sucos da companhia, tenham acesso à tecnologia, nivelando por cima os atores da sua cadeia produtiva. O objetivo é acrescentar valor para a agricultura familiar, criando uma rede de produtores sustentáveis e promovendo impacto ambiental com a redução do consumo de água.

Sobre os negócios sociais, Mariana tem uma visão clara: “não é errado fazer as coisas para o bem da humanidade e querer ganhar dinheiro com isso. “O errado é ficar sentado esperando que o mundo inteiro mude”.

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