Óleo de cozinha, que vilão é esse? 

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Que fritura não é um alimento muito saudável todo mundo já sabe. O que muita gente desconhece é que seus malefícios vão muito além dos pneuzinhos acumulados na cintura e suas inevitáveis consequências para a saúde. Afinal, não é só no corpo que a gordura é capaz de gerar prejuízos. O que sobra da preparação do prato – e é descartado sem controle – tem um grande impacto também para o meio ambiente. Basta pensar que apenas um litro de óleo é capaz de contaminar 20 mil litros de água. Mas não é só isso.

O óleo despejado na pia da cozinha pode entupir as tubulações de esgoto exigindo uso de produtos químicos poluentes e aumentando custos que poderiam ser revertidos em saneamento básico, por exemplo. Atingindo a água, o óleo forma uma película na superfície que dificulta a entrada de luz e oxigênio, matando peixes e algas. Caso afete o solo, o óleo de cozinha também pode provocar a morte de plantas por meio do desequilíbrio da composição orgânica da terra, pode poluir lençóis freáticos e provocar a impermeabilização do solo, contribuindo para o agravamento de enchentes. Para fechar esse perigoso ciclo, ao se decompor, o óleo de cozinha ainda gera gás metano capaz de potencializar o efeito estufa.

Então surge a questão: o que fazer com o óleo de cozinha usado? A boa notícia é que é possível reciclar esse óleo. E isso pode ser feito em casa ou destinando o produto para postos de coleta e empresas especializadas. Se escolher reciclar o óleo em casa, fique sabendo que ele é o principal ingrediente para fazer sabão caseiro. Veja a receita e o modo de preparo aqui. Além de contribuir com o meio ambiente, fabricar o próprio sabão ainda pode dar uma mãozinha ao orçamento doméstico.

O tema é tão relevante para o meio ambiente que empresas de grande porte passaram a incluí-lo em seus Programas de Educação Ambiental. Esse é o caso da Companhia Energética Sinop (CES), no Mato Grosso, que tem compartilhado com os moradores do município de Cláudia informações sobre a reciclagem do óleo e sua transformação em biodiesel.

Em parceria com a MM Social, a CES realizou no ano passado uma Capacitação Técnica em Resíduos Sólidos e Animais para educadores, técnicos do município e comunidade. O conhecimento adquirido foi multiplicado junto aos alunos das escolas municipais que receberam informações sobre reciclagem de óleo, transformação em biodiesel, cuidados com o meio ambiente e boas práticas de sustentabilidade.

Foi durante o treinamento que surgiu a ideia do Projeto Óleo de Cozinha Reciclável. A população foi orientada a guardar o óleo de cozinha usado durante um mês. A cada litro de óleo entregue, os participantes receberam um óleo de cozinha novo e cupons para sorteio de brindes. A campanha foi um sucesso: foram arrecadados cerca de 400 litros de óleo usado, suficiente para produzir 388 litros de biodiesel. O evento contou com apoio das empresas Águas de Cláudia e Fiagril, responsável pela transformação do resíduo em Biodiesel.

Iniciativas assim mostram que a preocupação com o descarte do óleo de cozinha deve ser prioridade na pauta de desenvolvimento sustentável e requer o envolvimento dos setores público e privado para solução do problema. Afinal, o consumo consciente também passa pela responsabilidade de cada um em dar o fim correto ao que se consumiu.

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